terça-feira, 18 de outubro de 2011

Querer ser como tu, e não poder

Eis a questão. Será que parte da minha alma morreria se o meu heterónimo morresse? Ou se eu morresse será que o meu heterónimo ainda andaria por aí a vaguear? A cuidar das pessoas que mais amo? Ou a atormentá-las?
É uma pergunta complicada. Uma pergunta que raramente é pensada por alguém.
Ou eu teria a coragem para matar o meu segundo "eu"? Por lhe ter dado a vida perfeita. Sem problemas. Sem culpa. E com inveja.
Entramos numa espécie de contradição.
Não quero que morras. Mas gostava de ser como tu. E como posso ser tu se ainda continuas cá?
Eis a questão.
Será que alguma vez saberei responder a essa pergunta? Não.
Só sei que criar-te foi a melhor coisa que fiz.
Com orgulho.

Íris Carvalho

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